Doug Henning: O Mágico Canadense Que Salvou o Palco
Em janeiro de 1974, em um palco do Cort Theatre da Broadway, um rapaz canadense de vinte e seis anos com cabelo encaracolado, bigode farto e macacão de lantejoulas surgiu de uma cabine vazia depois que sua noiva havia desaparecido em frente à plateia em poucos segundos. O efeito era a clássica Metamorfose de Houdini, e o artista era Doug Henning, jovem mágico recém-saído da Universidade McMaster que estava prestes a salvar a mágica de palco da extinção comercial nos Estados Unidos.
Quem Foi Doug Henning?
Doug Henning, nome de batismo Douglas James Henning, nasceu em 3 de maio de 1947, em Fort Garry, subúrbio de Winnipeg, na província canadense de Manitoba, e faleceu em 7 de fevereiro de 2000, em Los Angeles, aos cinquenta e dois anos, em decorrência de câncer hepático. Foi mágico, ator, produtor de televisão e ativista do movimento de meditação transcendental, e é considerado o artista isolado mais responsável pelo renascimento comercial da mágica de palco nos Estados Unidos durante a década de 1970. Antes da chegada de Doug Henning aos palcos americanos, a grande ilusão estava reduzida a circuitos secundários de cassinos e shows de variedades regionais. Depois dele, voltou a ocupar a Broadway, a primetime da televisão e as capas de revistas semanais como Time e People.
Como Doug Henning Aprendeu a Mágica?
Doug Henning começou na mágica aos sete anos, depois de assistir a um especial de televisão sobre Houdini exibido pela CBC em Winnipeg. Cursou psicologia na Universidade McMaster, em Hamilton, Ontario, onde se formou em 1970. Em 1971 obteve uma raríssima bolsa do Canada Council for the Arts dedicada ao estudo de mágica como forma artística, primeira concedida no país a um ilusionista, e usou o valor para passar dois anos em residência informal nos Estados Unidos com Dai Vernon, no Magic Castle de Hollywood, e com Tony Slydini, em Nova York. Vernon ensinou ao canadense princípios de naturalidade absoluta nos movimentos. Slydini transmitiu o domínio do tempo cênico e o uso da inocência aparente como ferramenta de misdirection.
Quais Foram os Truques Mais Famosos de Doug Henning?
Doug Henning é associado a três conjuntos de efeitos. Primeiro, releituras teatrais de clássicos do repertório houdiniano, com destaque para a Metamorfose, a Mulher Serrada ao Meio em câmara lenta e a Cabine de Tortura Aquática. Segundo, ilusões originais desenvolvidas em parceria com o engenheiro de palco John Gaughan, como a célebre suspensão sobre lâmina de espada e a aparição instantânea de um elefante asiático em palco aberto sem cortinas. Terceiro, uma série de rotinas de close-up apresentadas em câmera fechada para televisão, em geral com baralhos comuns e moedas, que serviam de respiro entre as grandes ilusões e davam aos especiais variedade rítmica inédita até então no formato.
Os Especiais de TV e o Sucesso de Doug Henning na Broadway
Doug Henning produziu oito especiais de televisão batizados Doug Henning's World of Magic, exibidos pela NBC entre 1975 e 1982, todos em horário nobre dominical e todos com audiência média superior a quarenta milhões de telespectadores americanos. Em paralelo, estrelou três produções de Broadway: o musical The Magic Show, com trilha de Stephen Schwartz, que estreou em 28 de maio de 1974 no Cort Theatre e ficou em cartaz até 1978 com mais de mil novecentas apresentações, o que rendeu a Henning uma indicação ao Tony Award de melhor ator em musical em 1974, e a peça Merlin de 1983, com Chita Rivera no elenco principal. Os shows de Broadway funcionavam como vitrine para os especiais de TV, e os especiais de TV alimentavam a bilheteria dos shows.
Por Que Doug Henning Abandonou a Mágica?
Doug Henning abandonou progressivamente a mágica entre 1983 e 1986 em razão do envolvimento crescente com o movimento da Meditação Transcendental fundado pelo guru indiano Maharishi Mahesh Yogi, do qual havia se aproximado em 1975. A partir de 1987, dedicou-se ao projeto Veda Land, parque temático nos arredores das Cataratas do Niágara, baseado em princípios da arquitetura védica e estimado em um e meio bilhão de dólares na época, que jamais saiu do papel apesar de mais de cinco anos de captação. Em 1993 candidatou-se a uma cadeira na Câmara dos Comuns do Canadá pelo Partido da Lei Natural. O diagnóstico de câncer hepático em 1999 interrompeu o projeto Veda Land definitivamente, e Henning faleceu em fevereiro de 2000.
Como Aplicar a Filosofia de Doug Henning no Seu Repertório?
Para incorporar a filosofia de Doug Henning ao próprio repertório, comece pelo essencial: reconstrua o sorriso de espanto infantil diante de cada efeito que apresentar, mesmo aqueles que já realiza há anos, pois esse era o gesto cênico que diferenciava Henning de todos os contemporâneos. Em seguida, recupere pelo menos um efeito clássico esquecido por dia em sua rotina de estudo, e tente entender como ele pode ser apresentado em escala compatível com a plateia que você atende. Finalmente, defina identidade visual mínima e estável, com pelo menos uma peça de figurino que sirva de marca pessoal reconhecível em fotos e vídeos. No curso Mágico em 30 Dias, você aprende do zero ao show completo com apenas 10 a 20 minutos por dia.